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Imaginação e fantasia: alimentos para a alma nos dias de hoje

Atualizado: 2 de out. de 2019

“Tempos de crise”, dizem todos. Em tempos assim, é preciso usar a “imaginação” para sair dela. Mas como tem andado nosso mundo imaginário?


"Nascimento de uma fada em Acbar" de Sérgio Pires @sergiocomarte

O que vejo hoje são crianças, jovens e adultos sempre correndo. E o tempo livre? Verdadeiramente livre diante de si próprio e da natureza? Onde está? A criação exige uma certa dose de silêncio, de contemplação. Ela necessita tempo para ir além do ordinário. Não se trata de mera ociosidade, mas de parar para melhor observar os movimentos da vida. Nessas horas precisas, a fantasia chega devagar e vai se instalando. Podemos ser e vivenciar muitas coisas! Ganhamos experiências também através do ato imaginativo.


A esse respeito, li uma história no livro de Suzana Perrow ("Histórias Curativas para Comportamentos Desafiadores", 2013) que me tocou profundamente:

Certa vez, uma mãe levou seu filho de nove anos, um potencial prodígio, para Albert Einstein e perguntou como o menino poderia aperfeiçoar seu conhecimento de matemática. Einstein respondeu: “Tente contar a ele algumas histórias”. A mãe insistiu em perguntar sobre a questão da matemática. Einstein disse: “Conte-lhe histórias se você quiser que ele seja inteligente e, mais histórias ainda, se quiser que ele se torne sábio”. (p. 21)

A autora analisa a situação da forma seguinte:

O conhecimento está limitado a tudo que sabemos e entendemos no presente, enquanto a imaginação pode abraçar tudo que poderá uma vez ser objeto de conhecimento e entendimento (...) a imaginação estimula o progresso. Grandes invenções requerem uma mente imaginativa. (p. 21).


O que podemos fazer para sermos mais imaginativos e podermos “estimular o progresso”? De fato, a imaginação também necessita de alimento para, um dia, poder nos alimentar. Acredito que precisaremos simplesmente “parar” um pouco e “observar” mais, primeiramente o que está a nossa volta; depois, o que está em nós, lá dentro, bem no fundo... e então nos depararemos com uma riqueza desconhecida.

Buscamos ansiosamente por ela nos contos de fadas infantis, ou nos filmes e livros de ficção científica e de super-heróis. Queremos ir além do que somos, pois, no fundo, sabemos que somos mais do que mostramos no dia a dia. Podemos ser melhores, mais luminosos, mais serenos, mais entusiastas etc.


Alguns minutos de silêncio, deixando a fantasia surgir naturalmente, enriquecerão nosso imaginário e alegrarão nosso cotidiano. Então o que estamos esperando? Não é preciso estar em um lugar perfeitamente belo. É preciso apenas querer olhar além da realidade na qual vivemos, e que pensamos ser a única. O mundo é constituído de infinitas possibilidades, inúmeras conexões, complexas redes. Prender-se a um único aspecto da realidade, é limitar nossa imaginação.


Assim, um bom filme ou um bom livro podem ajudar nesse processo de resgate da fantasia. No entanto, não poderão substituir a vivência de um profundo silêncio, aquele que dá acesso a mundos longínquos, dentro de nós mesmos.


Simone Aubin

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